“Pontes de diálogo”, “redes
interativas”, “meio para interações e conexões”, são muitas
as definições para as mídias sociais. Com 42,2% da população com
acesso à internet em que cada usuário passa em média quase 10
horas por mês em sites de redes sociais, o Brasil ocupa o 5º lugar
no ranking dos países mais conectados do mundo. Talvez isso seja
explicado pela característica do brasileiro, de ser um povo
comunicativo, adepto das novidades e de uma maior sociabilidade,
mesmo que mediada pelo computador. Quando pensamos na avalanche de
mudanças que essas novas mídias causaram na nossa forma de nos
relacionar com as pessoas, nos entreter e consumir informação o
mais espantoso é perceber que estamos falando de ferramentas que
surgiram há menos de 10 anos como o Facebook e o Twitter. Por meio
das redes, além de uma comunicação em tempo real com nossos amigos
e conhecidos, existe a possibilidade de participação em grupos
baseados em preferências, além da vantagem do acesso rápido a
informações e notícias e, o principal, a possibilidade que temos
de nós mesmos sermos produtores ativos de conhecimento. Essa talvez
tenha sido a maior contribuição das redes para a nossa sociedade,
porque rompeu com o tradicional monopólio dos meios tradicionais de
comunicação de massa como jornais, rádios e televisão.
Hoje, com a segunda geração da
internet chamada de web 2.0 cada um pode publicar notícias,
textos, músicas e vídeos na rede fazendo circular
ideias, compartilhando opiniões sobre produtos e serviços ou
utilizando o potencial das mídias sociais – aqui
incluindo os blogs – para discussões políticas que envolvam
o aspecto da participação cidadã. Cada uma dessas possibilidades é
discutível e deve ser olhada mais a fundo e
o primeiro ponto que quero levantar se trata da
originalidade das ideias na rede. Não sei se existem
levantamentos estatísticos, mas se começarmos a perceber, a grande
maioria do que circula nas redes sociais são ideias não-originais,
retiradas da orelha de um livro, das frases pescadas em outros
perfis, das pesquisas em ferramentas de busca como o Google, de uma
poesia de um autor que não se sabe o nome. É, porque quem copia não
dá o crédito. Não que isso seja uma ruim, é característica
própria da rede que permite apropriações, recriações e
reinvenções. Então nos perguntamos se as ideias originais chegaram
ao fim e se a cibercultura, a que estamos expostos, predispõe
somente a esse pensamento recriado, remontado, refeito?
Sobre o compartilhamento de opiniões
sobre produtos e serviços nas redes, o crucial é entender que esse
processo tirou das empresas o monopólio de falarem de suas marcas.
Agora, o que as pessoas conversam sobre essas marcas nas suas redes
de relacionamento virtuais assume importância cada vez maior. Por
isso o investimento de muitas empresas, sejam grandes, médias ou
pequenas, no marketing digital com campanhas virais e buzz marketing.
Essa tendência é como uma onda, que vai assumindo proporções
tsunâmicas e agregando cada vez mais adeptos. Isso quer dizer que as
empresas que estão fora das redes sociais perdem uma grande chance
de relacionamento com o cliente? Sim, perdem a oportunidade de se
fazerem lembradas e de ganharem não somente um consumidor de seus
produtos, mas um “apaixonado” pela sua marca que vai sempre
retornar para comprar e indicá-la a outros amigos.
O último aspecto que quero abordar
trata do uso das redes sociais para fins de cidadania e
fortalecimento da democracia. Já de saída existe um ponto muito
positivo, uma vez que a mídia de massa perdeu sua predominância
como detentora do poder de fala na sociedade. Através de sites,
blogs, redes sociais como Facebook, Twitter, Orkut e Youtube cada um
pode se expressar. E ser ouvido. Por poucos ou por muitos, depende da
quantidade de seguidores que ele tiver. Mas, afinal, o que de bom tem
nisso? Só de mais pessoas poderem falar, criticar, expor seus pontos
de vistas sobre governos, políticos, instituições e programas
possibilita que outras formas de pensar possam ser, ao menos,
considerados. E, o melhor, que outros enquadramentos e novas visões
de mundo possam emergir não de uma perspectiva vertical, mas sob uma
ótica horizontal em que todos falam e todos escutam. Pelo menos, em
tese, assim deveria ser a postura de cidadãos em um ambiente
democrático. Mas, o que muitos questionam, com toda razão, é até
que ponto a participação política não fica restrita a atos
isolados e desconectados da realidade? Outro questionamento é até
que ponto as mobilizações virtuais não eximem aqueles que delas
participam de sair do conforto do lar para assumir uma postura mais
ativa na própria sociedade? Como vimos, são muitas as questões
ainda por responder acerca desse universo das redes sociais, o que
sugere que a nova geração web 3.0 possa dar conta de tantas incógnitas.
Carolina Lima é jornalista e
mestranda pela UFJF.